Aplicativo de transporte exclusivo para mulheres chega em Lajeado

Vale do Taquari

A maquiagem é um dos símbolos femininos, sendo utilizada para ressaltar a beleza das mulheres. No caso do blush, pó com o qual se tonaliza as maçãs do rosto, o objetivo é dar uma aparência mais saudável e corrigir possíveis imperfeições na face. Talvez pela função que o produto desempenha, esse tenha sido o nome escolhido para um aplicativo de transporte que é exclusivo ao público, o BlushApp.

A ferramenta começou a operar em Lajeado nesta quarta-feira (16). O município é o primeiro no Rio Grande do Sul a ter o app, que utiliza mão de obra totalmente feminina. A ideia foi de uma lajeadense, que sofreu assédio enquanto utilizava aplicativo de transporte na cidade. Hoje residindo em Porto Alegre, ela, que pretende não ter a sua identidade divulgada, foi a responsável pela proposta.

Depois de amadurecer o projeto, a criadora procurou uma amiga em Lajeado, que já trabalhava como motorista de Uber. A profissional, de 39 anos, levou a reportagem do Grupo Independente para uma viagem na tarde desta quarta-feira. Joseane Fiorentini garante que o aplicativo chegou para dar mais segurança às passageiras e às condutoras de serviços de transporte.

“Ver as passageiras dizendo que não tem medo é maravilhoso e gratificante. Eu também estou amando, porque não terei de sofrer mais assédio, como elas. A gente viaja tranquilamente, pode trabalhar à noite sem problema nenhum ou sem aquela pressão de pensar se vai encontrar com um homem ou não”. Há 19 meses ela atua no Uber e diz que muitas vezes foi abordada por homens com assuntos desagradáveis.

O trajeto mínimo no Blush tem custo estimado de R$ 7,50. Para acionar o serviço, basta fazer o download gratuito do aplicativo na Play Store (Android) ou Apple Store (iPhone). Homens poderão viajar desde que acompanhados de uma mulher. Inicialmente as solicitações de viagem alcançam um raio de até 50 quilômetros.

A tarifa tem custo acessível, como é de costume em aplicativos de transporte. Lajeado dispõe hoje dos apps Uber e 99pop. O Blush remete 15% do preço da viagem para a empresa. Já com o Uber o percentual vai de 25% a 40%. O Blush aceita pagamento em dinheiro e cartão de crédito ou débito.

Diferenciais

Dois pontos são citados por Joseane como diferenciais do Blush – além de mais segurança ao público feminino. Há quatro categorias de viagem, nas quais a mulher pode solicitar assento de elevação (cadeirinha) para criança, ida e volta do animal de estimação do pet shop, com a caixinha de transporte própria e sem a necessidade de a dona acompanhar o trajeto, porta-malas grande para quando ir ao supermercado e, por fim, a viagem tradicional. “E o melhor de tudo: não é cobrado nenhum adicional pelos serviços. É só solicitar”, coloca ela

Também está disponível o botão de alarme, que pode ser acionado pela motorista caso enfrente algum problema de segurança. Outras condutoras num raio de cinco quilômetros serão avisadas do pedido de ajuda.

Até o início desta tarde, a motorista realizou quase duas dezenas de viagens. Ela se disse surpresa com a aceitação da ferramenta em Lajeado. “Estou realmente impressionada com a demanda. Eu acho que vai pegar para valer. A mulherada tem que colaborar e se unir para a gente colocar fim nesse assédio no transporte”.

Caso desperta discussão

Uma usuária de aplicativos de transporte, moradora de Lajeado, de 22 anos, alegou nas redes sociais ter sofrido perturbação sexual por um motorista, no fim de setembro. Ela relatou que durante trajeto até Estrela o homem desviou da rota prevista e falou que iriam “dar uma voltinha”. O percurso foi realizado pelo 99pop. A empresa suspendeu o cadastro do motorista até que o caso seja elucidado. Ela, que prefere o anonimato, fez registro na Polícia Civil. O condutor nega a acusação.

Questionada se utilizaria o BlushApp a jovem assegurou que recebeu a novidade de forma positiva. “Com certeza esse aplicativo veio para nos dar mais segurança. Pelo fato de ser uma mulher dentro do carro a gente sabe que não vai sofrer nenhum assédio e nenhum desrespeito, pois temos empatia umas com as outras”.

Leia: Nas redes sociais, lajeadense denuncia perturbação sexual ao utilizar aplicativo de transporte

Mesmo satisfeita com a criação do app, ela lamenta que seja necessário criar um mecanismo para proteger a mulher do assédio, do abuso ou da perturbação sexual. “É triste a gente ter de separar o transporte só para mulheres enquanto homens vão e vêm livremente. Precisamos de força para combater esse tipo de situação. É uma questão de consciência masculina. Teríamos que ter o direito de ir e vir como qualquer um”.

Texto: Natalia Ribeiro / jornalismo@independente.com.br

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