Vale busca garantir verba antes da troca de governo
Prefeitos, representantes do setor produtivo e o deputado eleito Roberto Lucchese debatem obras e pedido conjunto ao governo Leite. Intuito é definir a estratégia regional para que recursos do Funrigs sejam aplicados em infraestrutura viária
Garantir os recursos do Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs) para duplicações nas rodovias do Vale do Taquari antes da troca de governo. Esse é o objetivo da articulação entre entidades regionais e o deputado estadual eleito Roberto Lucchese (MDB).
O encontro está marcado para a noite de hoje e busca definir uma posição conjunta sobre a estratégia para garantir que os R$ 1,5 bilhão previstos para o Bloco 2 das concessões sejam aplicados em obras de infraestrutura do Vale.
Em um primeiro momento, a ideia mais próxima de ser viável retoma a alternativa de realizar as obras pela Empresa Gaúcha de Rodovias (EGR). O levantamento inicial previa R$ 610,5 milhões para duplicar a ligação entre Venâncio Aires e Arroio do Meio e R$ 189,4 milhões para a Via Láctea, entre Teutônia e Fazenda Vilanova, eixo das rodovias estaduais até a BR-386.
Em conversas com o diretor-presidente da EGR, Luís Fernando Vanacor, foi solicitado acrescentar o trecho de Arroio do Meio a Encantado. Neste caso, seriam acrescentados R$ 336 milhões. As três frentes somam cerca de R$ 1,14 bilhão.
Com a definição das prioridades, o movimento pretende buscar uma audiência com o governador Eduardo Leite e encaminhar a aplicação de parte do dinheiro ainda nesta gestão. Uma das possibilidades em discussão é destinar o aporte a um fundo da EGR, vinculando os recursos às intervenções para ampliar a capacidade de tráfego.
A mobilização visa incluir diversos segmentos da sociedade regional organizada. Estão confirmadas representações da Câmara da Indústria e Comércio do Vale do Taquari (CIC-VT), de associações comerciais, das associações dos Municípios do Vale do Taquari (Amvat) e do Alto Taquari (Amat) e do Conselho de Desenvolvimento do Vale do Taquari (Codevat), entre outras.
Os R$ 1,5 bilhão foram previstos para incentivar investimentos e garantir obras de resiliência no Bloco 2. O conjunto abrange 409 quilômetros de rodovias em 32 municípios dos vales do Taquari e do Rio Pardo e do Norte gaúcho. Não há uma parcela reservada apenas ao Vale.
Compromisso antes da transição
A busca por uma posição regional ocorre após o governador Eduardo Leite deixar os encaminhamentos da concessão para a próxima administração. Para os líderes locais, a mudança no modelo abre espaço para negociar as obras com recursos públicos, sem aguardar uma nova proposta de transferência das estradas à iniciativa privada.
O risco apontado pelo movimento é a divisão do aporte em intervenções dispersas, sem assegurar as duplicações. “O que não podemos é ficar sem obras. É ver esses R$ 1,5 bilhão serem usados em um monte de pequenas intervenções por todo o Estado”, destaca Roberto Lucchese.
O deputado eleito antecipou a reivindicação em reunião com o futuro governador, Luciano Zucco. O argumento apresentado relaciona a aplicação do fundo aos danos provocados pelas enchentes e à necessidade de recuperar a infraestrutura regional. “Sabemos que o Norte precisa de melhorias nas rodovias, mas eles não tiveram prejuízos devido ao episódio climático extremo. Então, o lógico seria aplicar na nossa região. Esse foi o propósito do próprio fundo”.
Defesa regional
A reunião de hoje dá sequência às manifestações de prefeitos e representantes empresariais sobre a necessidade de preservar o investimento. A prefeita de Estrela, Carine Schwingel, apontou a necessidade de conciliar as reivindicações municipais.
O integrante do Conselho do Plano Rio Grande e vice-presidente de Infraestrutura da Acil, Nilto Scapin também alerta para a disputa pelo dinheiro. “Teremos que batalhar muito por isso. Outras regiões também têm suas necessidades.”
Plano ampliado
A alternativa de obras sob responsabilidade da EGR integrava as discussões sobre o futuro das rodovias no início do ano. Em março, o A Hora apresentou o levantamento de intervenções que poderiam receber os recursos públicos previstos para viabilizar a concessão (confira ao lado).
Naquele desenho, a duplicação pelas rodovias RSC-453 e ERS-130 abrangia 43,1 quilômetros entre Venâncio Aires e Arroio do Meio. O custo estimado era de R$ 610,5 milhões. O plano previa chegar até Palmas, sem contemplar toda a ligação até Encantado.
O pedido de ampliação do estudo acrescenta esse trecho à negociação. Com os R$ 336 milhões estimados para a continuidade, o investimento no eixo Venâncio Aires a Encantado chega a aproximadamente R$ 946,5 milhões.
A segunda frente é a ERS-128, a Via Láctea. São 16,3 quilômetros entre Teutônia e Fazenda Vilanova, conectando a Rota do Sol à BR-386, com custo estimado de R$ 189,4 milhões. Esse percurso é diferente da ligação entre Estrela e Teutônia pela RSC-453, também reivindicada por líderes regionais.
Somadas, as três intervenções representam cerca de 76% do aporte de R$ 1,5 bilhão. Os valores são estimativas para orientar a negociação e não correspondem a obras contratadas.
Trechos em debate
Primeira versão
Venâncio Aires a Arroio do Meio
Rodovias: RSC-453 e ERS-130.
Extensão: 43,1 quilômetros.
Intervenção: duplicação, com chegada até Palmas.
Estimativa: R$ 610,5 milhões.
Acréscimo
Arroio do Meio a Encantado
Rodovia: ERS-130.
Extensão: 13,6 quilômetros.
Intervenção: duplicação.
Estimativa adicional:
R$ 336 milhões.
Versão anterior
Teutônia a Fazenda Vilanova
Rodovia: ERS-128, a Via Láctea.
Extensão: 16,3 quilômetros.
Intervenção: duplicação
da ligação entre a Rota do
Sol e a BR-386.
Estimativa: R$ 189,4 milhões.
Em debate
Estrela a Teutônia
Rodovia: RSC-453.
Extensão: 16,3 quilômetros, entre Boa União e o entroncamento com a ERS-128.
Intervenção: duplicação ou ampliação de via.
Estimativa: sem estudo prévio, o valor deste tipo de obra pode variar entre R$ 150 milhões e R$ 200 milhões.
Fonte: Grupo A Hora