Renato não encontra no Grêmio a mesma força ofensiva de suas passagens anteriores
Com terceiro pior ataque do Brasileirão, time tem zagueiro reserva à frente de atacantes e de meias e atrás somente do centroavante Carlos Vinícius entre os goleadores do campeonato
Da explosiva entrevista coletiva de Renato Portaluppi após o Gre-Nal é possível extrair uma série de possibilidades. As circunstâncias, o tom de voz e a veemência da fala permitem concluir que uma das preocupações latentes do treinador é ter percebido, mais claramente após a sua chegada, o tamanho da dificuldade de tirar o Grêmio da zona de rebaixamento. Dentre outras razões, pela dureza em colocar a bola dentro da rede adversária, algo que ele não sentiu nas quatro passagens anteriores.
Por ter sido um impetuoso atacante, Renato carrega ao longo da carreira uma veia ofensiva das equipes que dirige. Nunca escondeu a predileção por buscar os gols, mesmo que custe tomá-los também, desde que o saldo seja positivo, claro.
Em 2010, somente no Brasileirão, Jonas marcou 23 gols. André Lima, sucessor do artilheiro Borges, fez 11. Em 2013, o trio Barcos, Vargas e Kléber somou 20 tentos. Na fase ganhadora entre 2016 e 2021, citando apenas os pratas da casa Pedro Rocha, Cebolinha, Pepê e Luan passaram de 200 gols. Barrios, Jael ou André passaram ao largo da gurizada.
Não é o caso do Grêmio 2026, principalmente no Brasileirão. Por trás de diretas e indiretas a dirigentes, ex-treinador e ao próprio grupo, está a pressão de Renato por tirar o Grêmio do buraco. E para isso precisa ganhar, para ganhar precisa de gols e para os gols saírem, em tese, há alguns mais credenciados para resolver.
"Vocês são atacantes e têm que fazer gols. Só faz gol quem entra na área e se junta ao atacante. (...) Se não gosta de pisar na área e não gosta de fazer gol não pode ser atacante", desabafou o técnico no domingo, na Arena. O Grêmio tem o terceiro pior ataque do campeonato, atrás somente da Chapecoense e do Corinthians.
Dos 31 gols tricolores no Brasileirão, um terço foi marcado por Carlos Vinícius. O vice goleador é Gustavo Martins, com três seguido de quatro jogadores: Gabriel Mec, que não está mais no clube, o reserva Tetê, o zagueiro recém chegado Wallace e Pavón. Outros atacantes como Enamorado e Braithwaite não marcaram, assim Krovinovic, trazido após as liberações de William e Monsalve.
"Eu falei para ele que ele tem que pisar na área. Contrataram ele como meia e então ele tem que pisar na área. Não sou eu que tenho que falar para ele, olha você joga muito longe da área", revelou Renato, que na última passagem não sofreu desse mal.
Se em 2022 ainda aproveitou os últimos gols do artilheiro Diego Souza pelo clube na reta final da Série B, em 2023 teve Suárez. Dos 29 gols do Pistoleiro, 17 foram no Brasileirão, mas até o uruguaio teve parceria melhor do que o atual centroavante. Os meias Bitello, com 4, Cristaldo com 8 também fizeram os seus e até Galdino deixou seis bolas na rede. Isso só no Campeonato Brasileiro.
Em 2024, Braithwaite que chegou em meio ao campeonato fez 8. Cristaldo marcou 6 e Monsalve outros 3. Números baixos, mas ainda assim maiores do que os dos atuais titulares e reservas.
"Os atacantes tinham o costume de jogar muito aberto e eu não gosto. Justamente porque o Vinícius fica sozinho na área", diagnosticou Renato. O mesmo treinador responsável agora administrar as consequências de um discurso forte com respingos no seu vestiário, local que ele conhece como ninguém. "No futebol, tudo é confiança."
Os 32 gols do Grêmio no Brasileirão
10 gols: Carlos Vinícius
3 gols: Gustavo Martins
2 gols: Pavón, Tetê, Mec e Wallace
1 gol: Amuzu, Noriega, Nardoni, Viei, Villasanti, Marlon, Diego Caito, Kannemann, Jovane Cabral e Edenilson e Camutanga (Vitória, gol contra)
Fonte: Correio do Povo