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China habilita frigorífico de aves da Dália

Cooperativa projeta iniciar embarques entre o fim de outubro e início de novembro, com capacidade de exportar 84 toneladas de pés de galinha por mês

China habilita frigorífico de aves da Dália
Foto: Divulgação

A Cooperativa Dália Alimentos, com sede em Encantado, conquistou uma habilitação histórica e passa a ter acesso ao mercado chinês para a exportação de produtos avícolas. A autorização foi oficializada na manhã desta terça-feira pelas autoridades sanitárias da China e representa a primeira habilitação para vendas ao mercado, um dos mais disputados, exigentes e de difícil acesso do mundo.


A expectativa é que os primeiros embarques ocorram entre o fim de outubro e o início de novembro. Neste primeiro momento, a Dália pretende concentrar as vendas nos pés de galinha, produto que possui forte demanda na China e que pode alcançar valores significativamente superiores aos obtidos em outros destinos.


O vice-presidente executivo da Dália, Igor Estevan Weingartner, destaca que a habilitação foi resultado de um processo considerado difícil e bastante aguardado pela cooperativa. A unidade de aves, localizada na comunidade de Palmas, em Arroio do Meio, passou por auditoria de forma remota e integrou o processo de avaliação das autoridades chinesas.


Para Weingartner, a entrada no mercado chinês abre uma oportunidade de aumentar o aproveitamento econômico da carcaça. Produtos que têm menor valorização em alguns mercados podem alcançar preços mais elevados na China em razão dos hábitos de consumo locais. É o caso dos pés de galinha, que no Brasil e em outros países costuma ser tratado como subproduto. Na China, entretanto, existe uma demanda consolidada, o que permite uma valorização muito maior.


A capacidade inicial estimada pela Dália é de até três contêineres mensais somente de pés de galinha. Cada contêiner comporta aproximadamente 28 toneladas, o que representa potencial de 84 toneladas por mês ou pouco mais de mil toneladas ao ano.


De acordo com Weingartner, a destinação ao mercado chinês pode elevar em aproximadamente 500% o valor obtido pelo produto em relação a alternativas atualmente utilizadas. O ganho está justamente na possibilidade de transformar um item de menor valorização em uma mercadoria de maior valor agregado. “Isso agrega muito valor. Recupera muito valor”, resume o executivo.


A cooperativa já possui parceiros comerciais para atuar na China. Esses compradores também trabalham com outros mercados, característica considerada importante pela Dália para diversificar os destinos da produção.


Outro produto com grande potencial de vendas aos chineses é a asa, mas a cooperativa ainda as condições tendo em vista sua valorização em demais mercados.


Preparação para os primeiros embarques


Apesar de a habilitação já estar oficializada, ainda existem etapas operacionais antes do início das exportações. A Dália já pode emitir o certificado de origem por meio da plataforma do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), mas precisa adequar as embalagens às exigências do mercado chinês.


Os produtos deverão receber as informações e traduções exigidas pelas autoridades daquele país. A estimativa é de que esse processo leve cerca de 30 dias. Com a conclusão da etapa, a cooperativa pretende iniciar a preparação dos lotes destinados à exportação.


A projeção, portanto, é de que os primeiros contêineres deixem a unidade entre o fim de outubro e o início de novembro.


Acesso considerado estratégico


A habilitação amplia a inserção internacional da Dália e coloca a unidade de aves de Arroio do Meio em um dos principais mercados mundiais para produtos avícolas. Para a cooperativa, o interesse não está apenas no volume potencial de vendas, mas também na possibilidade de melhorar o retorno econômico de diferentes partes da carcaça. A estratégia é direcionar cada produto para mercados onde exista maior demanda e capacidade de pagamento.


A conquista ocorre após anos de negociações técnicas entre Brasil e China. O Mapa e as autoridades chinesas avançaram na revisão de protocolos sanitários e na avaliação do sistema brasileiro de controle de produtos de origem animal.


Mais três frigoríficos no Brasil


A missão sanitária chinesa esteve no Brasil entre os dias 20 e 26 de setembro. A agenda incluiu inspeções em frigoríficos, laboratórios e propriedades rurais. Ao todo, 17 estabelecimentos das cadeias de bovinos, suínos e aves estavam no roteiro.


Além da Dália, a Avivar Alimentos, de São Sebastião do Oeste (MG), também recebeu habilitação para exportar produtos de aves nesta terça-feira. Outras duas unidades brasileiras foram autorizadas para produtos de carne bovina: Supremo Carnes, de Carlos Chagas (MG) e Masterboi, de Canhotinho (PE). Os registros possuem validade de cinco anos.


Expectativa pelo mercado de miúdos de suínos


A Dália também acompanha os desdobramentos da abertura do mercado chinês para miúdos suínos. O protocolo sanitário firmado entre Brasil e China amplia o acesso desses produtos ao país asiático e cria uma nova possibilidade de valorização da carcaça.


A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) estima que mais de 100 mil toneladas anuais de miúdos suínos brasileiros possam ser destinadas à China. A entidade projeta potencial de incremento superior a US$ 100 milhões em receita para o setor.


No Rio Grande do Sul, a estimativa é de potencial superior a 40 mil toneladas anuais de miúdos suínos destinados ao mercado chinês. A oportunidade é considerada relevante porque produtos com menor valorização em determinados mercados possuem demanda mais forte na China.


A Dália pretende avaliar os requisitos do novo protocolo e buscar a habilitação necessária para se enquadrar entre os estabelecimentos autorizados a exportar esses produtos. A estratégia segue a mesma lógica da abertura para aves: direcionar diferentes partes da produção aos mercados em que tenham maior valor comercial.


A assinatura do protocolo para miúdos ocorreu no sábado (26), durante a agenda de autoridades brasileiras e chinesas. A medida amplia o acesso brasileiro a um mercado que já é um dos principais destinos da carne suína nacional.


Fonte: Grupo A Hora