Grêmio põe as convicções à prova contra o Mirassol em momento decisivo da temporada
Só a classificação na Copa do Brasil, nesta quarta-feira, na Arena, diminui a pressão sobre o trabalho do técnico Luís Castro e da direção. Cenário lembra o vivido no ano passado
Para ser preciso, há exatamente um ano e uma semana o Grêmio vivia uma situação similar à atual. As eliminações nas Copas, em plena Arena, para CSA e Alianza Lima antecederam uma derrota também em casa, para o Sport. Em 12 de agosto, quando nem mesmo Mano Menezes imaginava ser capaz de continuar no cargo, a diretoria bancou o comandante do vestiário.
O mesmo foi feito pelos dirigentes atuais com Luís Castro após a queda na Sul-Americana, ainda com duas competições por disputar. Numa delas, o time define hoje o futuro, novamente à frente da torcida. Só a classificação na Copa do Brasil contra o Mirassol diminuirá a pressão no trabalho de técnico e da direção. O que acontecer na Arena certamente respingará no sábado, quando o desafio será tirar o time da zona de rebaixamento no Brasileirão.
Dentro de campo, a cobrança neste momento está no treinador. A comparação com o adversário, que nos próximos dias jogará um mata-mata de Libertadores da América, é inevitável. Depois da Copa do Mundo, os gaúchos fizeram cinco jogos com três derrotas e dois empates, o último contra os paulistas na partida de ida das oitavas da Copa do Brasil. Portanto, uma vitória simples serve para ambos os lados. Os visitantes, ao contrário, não perderam desde a parada. Foram dois empates e duas vitórias, uma contra os comandados do português.
"Eu compreendo a emoção do resultado, mas também tenho que me agarrar à racionalidade dos números. E os números, mais uma vez, dizem que estamos no caminho certo", defendeu-se Castro no último domingo. Dentre as convicções do treinador, por uma razão fortuita, ele pode abrir mão de jogar com dois extremas.
A ausência de Tetê por lesão, além de ser um jogador a menos na lista dos que o torcedor tem torcido o nariz, abre brecha para Jovane Cabral. Embora atue também pelos lados do campo, em tese, o africano pode mudar a forma da equipe atacar do meio para frente, tendo apenas Amuzu como escape e ele como alguém de maior imposição anímica e física, se somando ao avanço dos volantes.
Fora de campo, a pressão está no departamento de futebol, uma vez que, passado um semestre, independentemente dos nomes escolhidos pelo treinador, o fato é que o time não se comporta a contento. A versão é diferente de quem acompanha a rotina do CT. “A permanência do treinador se justifica pelo trabalho que a gente acompanha, que é óbvio, não se reflete nos resultados. Enquanto não acontecem, a gente vê evoluções no dia a dia", garantiu o vice de futebol Rafael Lima, após eliminação para o Bolívar.
Cenário de uma semana atrás e bem parecido com o de agosto de 2025, quando o Grêmio, na 19ª rodada do Brasileirão, mesmo perdendo para o lanterna do Campeonato Brasileiro, estava três pontos longe de onde está hoje, ou seja, no Z-4. Mas isso é assunto para o sábado, contra o São Paulo.
Grêmio: Weverton; Diego Caito, Gustavo Martins, Kannemann e Marlon; Noriega, Nardoni e Villasanti; Amuzu, Carlos Vinícius e Jovane Cabral. Técnico Luís Castro.
Mirassol: Alex Muralha, Igor Formiga, João Victor, Gabriel Knesowitsch e Reinaldo. Neto Moura, Denilson e Eduardo. Edson Carioca, Bruno Santos e Fernandinho. Técnico: Rafael Guanaes.
Árbitro: Davi Lacerda (ES)
Local: Arena do Grêmio
Horário: 19h30min
Fonte: Correio do Povo