Sobretaxa dos EUA atinge 70% das exportações do agro gaúcho
Levantamento da Farsul mostra que o RS é o estado mais afetado pela tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos.
O agronegócio do RS é o mais afetado pela sobretaxa de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Conforme levantamento da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), 70,4% das exportações gaúchas do setor para o mercado norte-americano estão sujeitas à tarifa, índice muito superior à média nacional, de 32%.
As informações foram apresentadas pelo assessor de Relações Internacionais da Farsul, Renan dos Santos, em entrevista ao programa Frente e Verso, da Rádio A Hora 102.9, nesta segunda-feira, 20.
Segundo Santos, a diferença entre os impactos no RS e no restante do país está na lista de exceções criada pelo governo dos Estados Unidos. Produtos considerados estratégicos para o abastecimento interno americano, como carne bovina, café e suco de laranja, ficaram fora da sobretaxa.
Como o RS possui menor participação na exportação desses produtos em relação a outros estados, a pauta exportadora gaúcha acabou concentrada em segmentos que permanecem tributados, entre eles madeira, produtos florestais e, principalmente, o tabaco.
Tabaco preocupa setor produtivo
O setor do tabaco, um dos principais da economia dos vales do Taquari e do Rio Pardo, está entre os mais atingidos. De acordo com o assessor, as exportações de fumo não manufaturado, dos tipos Virgínia e Burley, alcançaram cerca de US$ 171 milhões em 2025. Com a manutenção da tarifa de 25%, a estimativa é de uma perda potencial de aproximadamente US$ 42 milhões.
Santos explica que a produção destinada aos Estados Unidos dificilmente pode ser redirecionada para outros mercados, devido às especificações técnicas e às misturas exigidas pelos compradores norte-americanos.
Além do tabaco, os setores de calçados e móveis também enfrentam dificuldades em razão da forte dependência do mercado dos Estados Unidos.
Críticas à atuação diplomática
Durante a entrevista, o representante da Farsul afirmou que o governo brasileiro demorou para iniciar as negociações diplomáticas. Segundo ele, entidades do setor privado, como a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), assumiram as primeiras tratativas com interlocutores norte-americanos.
A estratégia adotada pelas entidades é demonstrar que a sobretaxa também traz prejuízos para os consumidores dos Estados Unidos, ao elevar os preços de produtos importados e pressionar a inflação no país.
Cenário de incerteza
Renan dos Santos também manifestou preocupação com a politização do tema em meio ao período eleitoral. Para ele, o foco deve permanecer na busca por soluções para reduzir os impactos econômicos sobre empresas, empregos e a geração de divisas no SR.
O assessor avalia que o comércio internacional vive um dos períodos mais desafiadores das últimas décadas, marcado pelo enfraquecimento de organismos multilaterais, como a Organização Mundial do Comércio (OMC), e pelo avanço de medidas protecionistas adotadas de forma unilateral por diferentes países.
Fonte: Grupo A Hora