Tarifas dos EUA: agro do RS é mais prejudicado que o nacional
Análise da Farsul destaca que o tabaco, produto que o RS é o estado maior exportador, ficou fora da lista de isentos do tarifaço de 25%
O agronegócio gaúcho será muito mais prejudicado pela aplicação de tarifas de 25% dos Estados Unidos sobre uma série de mercadorias brasileiras, listada pelo USTR (em português, Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos), do que o setor agro em nível nacional.
Vários produtos de origem agropecuária produzidos pelo país, inclusive no Rio Grande do Sul (a exemplo, carnes), foram isentos das tarifas anunciadas, mas produtos relevantes gerados no Estado em embarques aos americanos não foram eximidos.
O principal dele é o tabaco não manufaturado, mas também madeira serrada e sebo bovino, além de calçados (parte que tem o couro como matéria-prima).
No ano passado, apesar do tarifaço americano da época, o Estado enviou aos EUA US$ 180 milhões em tabaco, o quarto principal destino. Em 2024, sem as tarifas, foi o terceiro maior cliente, com embarques de US$ 245 milhões. E, até abril deste ano, foram embarcados US$ 66 milhões.
“Para o agro do Rio Grande do Sul é muito mais prejudicial em média do que para o resto do Brasil. Então, significa que temos menos produtos que exportamos para os Estados Unidos que ficam na lista dos excluídos do tarifaço”, analisa Renan Hein dos Santos é Analista e Assessor de Relações Internacionais da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul).
Para Santos, é “uma medida péssima, mas não inesperada”.
“Desde o tarifaço que nós já enfrentamos no ano passado vínhamos falando que o Brasil estava sendo investigado pelo USTR e que precisávamos ficar atentos, e veio aí agora esse primeiro documento inicial deles”, acrescenta.
Para ele, na deliberação americana “há coisas que se sustentam, (mas) a maioria delas, não”.
“Parece muito mais político do que técnico. Então, é um trabalho difícil para nós, técnicos, contestar, porque é muito mais uma (medida), de novo, política”, considera.
“Tem pouco embasamento no ordenamento da OMC (Organização Mundial do Comércio), por exemplo, que a gente poderia debater. É muito mais uma coisa, assim, de um forte fazendo exigências, exercendo o seu poder econômico.”
Fonte: Correio do Povo