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Setor da erva-mate projeta recuperação nesta safra

Condições climáticas dos últimos meses favoreceram produção após anos de perdas nos ervais

Setor da erva-mate projeta recuperação nesta safra
Foto: Divulgação

A cadeia gaúcha da erva-mate projeta recuperação da produção nesta safra após sucessivos anos afetados pela estiagem. A expectativa do setor é alcançar cerca de 310 mil toneladas de folha verde em aproximadamente 30 mil hectares cultivados no Estado.

Os dados foram apresentados durante a Festa da Colheita da Erva-Mate, realizada nesta quinta-feira, em Machadinho, no norte gaúcho. O evento marcou oficialmente o início da safra e reuniu produtores, indústrias, pesquisadores e representantes da cadeia ervateira.

Presente em 173 municípios e em mais de 7 mil propriedades rurais, a cultura tem forte peso econômico e cultural no Estado. O Rio Grande do Sul também lidera o beneficiamento da erva-mate no país, com ao menos 163 indústrias em operação.

A melhora nas condições climáticas ao longo deste ciclo contribuiu para a recuperação dos ervais, reduzindo os impactos registrados nos últimos anos. Segundo representantes do setor, a menor intensidade das estiagens favoreceu o desenvolvimento das plantas e elevou a expectativa de uma produção dentro da normalidade.

Em 2025, o volume produzido já havia mostrado recuperação, se aproximando das 300 mil toneladas, após safras anteriores marcadas por perdas mais severas. Mesmo com a perspectiva positiva no campo, a rentabilidade segue como um dos principais desafios da atividade. Os preços pagos ao produtor continuam próximos dos menores patamares históricos, limitando investimentos em adubação, manejo e renovação dos ervais.

Apesar disso, a avaliação do setor é de que não deve haver grandes oscilações para o consumidor final. Atualmente, o preço da erva-mate no varejo varia conforme a marca e o tipo do produto comercializado.

Indicação Geográfica

Durante a abertura da safra, o secretário estadual da Agricultura, Márcio Madalena, destacou a necessidade de ampliar mercados e incentivar novos derivados da erva-mate, especialmente voltados à exportação. Segundo ele, o setor vive um novo momento após o reconhecimento da Indicação Geográfica (IG) da erva-mate de Machadinho.

A certificação, concedida pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) em novembro de 2025, contempla dez municípios da região e busca fortalecer a identidade e o valor agregado da produção local.

A programação também contou com o Fórum da Erva-Mate, que abordou temas ligados à inovação e ao manejo da cultura. Entre os assuntos debatidos esteve o uso de Trichoderma nos ervais, tecnologia utilizada para auxiliar no desenvolvimento das plantas, na proteção radicular e na resistência a estresses climáticos.

Outro destaque do evento foi o lançamento de mais um produto certificado com selo de Indicação Geográfica da região de Machadinho.


Fonte: Grupo A Hora