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Equipamento precário e sem a documentação necessária, diz delegada sobre brinquedo que caiu em Guaíba

Rompimento de dois cabos teria provocado súbita queda de atração conhecida como Torre

Equipamento precário e sem a documentação necessária, diz delegada sobre brinquedo que caiu em Guaíba
Foto : Fernanda Bassôa / Especial CP

Peritos do Instituto-Geral de Perícia (IGP), Polícia Civil e Corpo de Bombeiros estiveram durante a manhã desta segunda-feira no Parque de Diversões, instalado temporariamente em Guaíba, realizando uma perícia no brinquedo denominado de Torre que despencou de uma altura de dois metros, por volta das 20h30 de domingo, deixando mais de dez pessoas feridas. A titular da Delegacia de Polícia, Karoline Calegari, em observação preliminar, definiu o equipamento como precário e que não tinha as documentações necessárias.

"O proprietário disse que comprou esse brinquedo e que não é fabricado em série. Por isso, não temos outros brinquedos semelhantes para compará-lo. Ele disse que comprou no Paraná e trata-se de um brinquedo único, feito de forma quase que artesanal. Então ele não tem nota fiscal e não tem documentação para demonstrar como deveria ser o funcionamento", afirmou.

De acordo a delegada Karoline, o fato ocorreu quando o equipamento estava na terceira curva, a mais ou menos 2 metros do chão, e houve o rompimento de dois cabos. "As pessoas que estavam neste brinquedo, caíram. Creio que essa foi a causa principal. Creio que tem a ver com a manutenção do equipamento. No entanto, é preciso aguardar o laudo por escrito da perícia." Segundo ela, dos feridos, quatro vítimas tiveram lesões mais graves com fraturas na tíbia, joelho, nariz e pé.

Karoline ainda destaca que o proprietário do Parque de Diversões já foi ouvido e prestou atendimento às vítimas. "Estamos apurando as causas do acidente para verificar eventual responsabilização criminal. Se alguém agiu com culpa, com imprudência, negligência ou imperícia que pudesse esse resultado ser atribuído a essa culpa."

A titular da DP disse ainda que analisa a responsabilização do engenheiro responsável pela instalação do arque porque o profissional assinou documento afirmando que os equipamentos estavam em condições de operar. "Vamos ter que ouvir essa pessoa para entender de que maneira foi feita essa avaliação. Se nós confirmarmos a questão de culpa do proprietário do parque, do engenheiro, eles podem responder por lesão grave, se alguma das vítimas passar mais de 30 dias sem conseguir realizar suas ocupações habituais e por periclitação da vida e da saúde de outrem." A capacidade era para 20 pessoas, mas o operador estava fazendo funcionar com apenas 10.

Interdição parcial após acidente

A tenente do Corpo de Bombeiros, Carla Rodrigues Avozani, disse que ainda na noite de domingo o parque foi interditado parcialmente, após o acidente. "Para que o parque possa entrar em funcionamento, é feita toda uma análise, tanto documental, quanto de vistoria. Para operar, ele tem que ter o alvará dos bombeiros. Para ele ter a liberação do alvará é feita uma análise documental, planta baixa, RT e laudos. Toda a parte documental com o Corpo de Bombeiros estava tudo em condições."

Conforme a tenente, o proprietário tem o alvará de funcionamento válido até dia 27 de abril, mas o desmonte da estrutura já estava sendo feita e o parque não vai operar mais. "Agora pela manhã a gente fez novas vistorias e solicitamos novos laudos. Foi solicitado laudos que comprovem que não tenha ausência de iminente risco à vida, laudo que tenha ausência de algum tipo de colapso estrutural. Então a gente solicitou esses tipos de laudos que julgamos importantes neste momento."

Dois feridos ainda hospitalizados

A Prefeitura Municipal de Guaíba informou que ao todo, foram atendidas 11 pessoas, sendo três do sexo masculino e oito do sexo feminino. Destas, quatro são adultos, três crianças (até 12 anos) e quatro adolescentes. Todos os pacientes passaram por avaliação médica, incluindo exames de tomografia.

Nove pacientes já foram liberados. Um paciente foi encaminhado para o Hospital Cristo Redentor, em Porto Alegre e outro aguarda transferência também para a capital para dar continuidade do atendimento e acompanhamento especializado, conforme avaliação da equipe médica. Ambos se encontram estáveis e assistidos pelas equipes de saúde.


Fonte: Correio do Povo