Diesel pressiona agro gaúcho em R$ 612 mi
Alta de 21% no combustível eleva custos em plena safra e preocupa produtores rurais do estado
A escalada no preço do diesel no Rio Grande do Sul já projeta impacto direto de R$ 612,2 milhões ao agronegócio gaúcho. Levantamento da Federação da Agricultura do Estado (Farsul) aponta que o valor médio do diesel S10 subiu 21,1% entre o fim de fevereiro e o início de abril, passando a R$ 7,23 por litro, reflexo da tensão geopolítica no Oriente Médio.
Segundo a entidade, a valorização do petróleo e os riscos nas rotas comerciais, especialmente no Estreito de Ormuz, elevaram custos logísticos e consolidaram um novo patamar de preços para os combustíveis. O aumento ocorre em período estratégico para o campo, durante a colheita da safra de verão e o planejamento do plantio de inverno.
Entre as culturas, o arroz aparece como o segmento mais sensível. O reajuste no diesel representa custo extra de R$ 185,72 por hectare, equivalente à perda de 2,95 sacos por hectare. Conforme o estudo, esse impacto pode comprometer a rentabilidade da safra em um momento de preços apertados.
Na soja, o reflexo por área é menor, de R$ 48,74 por hectare, ou 0,41 saco. No entanto, devido à grande extensão cultivada no Estado, a oleaginosa concentra o maior prejuízo total, estimado em R$ 331,2 milhões.
O levantamento também mostra diferenças regionais no preço do combustível. Porto Alegre registra média de R$ 7,05 por litro, enquanto Bagé alcança R$ 7,95, variação de R$ 0,90 que amplia a pressão sobre produtores de determinadas regiões.
Em cenários projetados pela Farsul, caso o diesel se mantenha em R$ 8,00 por litro, o impacto ao agro gaúcho subiria para R$ 986,3 milhões. Se atingir R$ 9,00, as perdas podem chegar a R$ 1,47 bilhão.
Para a entidade, o diesel se tornou um dos principais fatores de risco ao setor em 2026, pressionando margens financeiras e elevando a preocupação com endividamento no campo.
Fonte: Grupo A Hora