Estrela instala bancos vermelhos como símbolo de enfrentamento à violência contra a mulher
Intervenção urbana ocorre em três pontos do município e mobiliza poder público, Justiça e OAB; iniciativa reforça a conscientização e o combate à violência doméstica
O Município de Estrela realizou, no fim da tarde desta terça-feira (31) a inauguração dos bancos vermelhos, em um ato simbólico de enfrentamento à violência contra a mulher. A ação ocorreu em frente à Prefeitura e integra uma iniciativa mais ampla, com instalação de bancos também no Calçadão da Rua Fernando Abott e no Parque Princesa do Vale. Desenvolvida em parceria com a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) Subseção de Estrela, a proposta busca provocar reflexão coletiva e ampliar o debate público sobre a violência de gênero.
A prefeita Carine Schwingel destacou o caráter institucional da iniciativa e a necessidade de atuação integrada. “Sou a primeira prefeita mulher em 150 anos e isso nos impõe a responsabilidade de trabalhar muito forte na conscientização. Esse é um trabalho em rede, envolvendo diversas secretarias, para que o enfrentamento à violência contra a mulher seja uma ação de governo”, afirma. A prefeita também chamou atenção para a realidade local. “Ainda temos muitos casos de violência doméstica em Estrela. Este banco vermelho simboliza o sangue derramado pelas mulheres vítimas de agressão e, sobretudo, lembra aquelas que não podem mais sentar nele”, complementa.
A juíza Marília Maria Moraes do Nascimento, titular da Vara Criminal de Estrela e do Juizado de Violência Doméstica, ressaltou o significado do ato como instrumento de transformação social. “Este momento não é apenas uma inauguração, mas um convite à reflexão sobre a nossa postura diante da violência contra a mulher. Trata-se de um problema que precisa ser enfrentado por toda a sociedade”, afirma. Segundo ela, o enfrentamento exige mudança de comportamento coletivo e compreensão de que a violência não se restringe ao âmbito privado.
O presidente da OAB Subseção de Estrela, Rafael Godinho, reforçou a urgência do tema ao trazer dados e contexto social. “A cada 31 horas, quatro mulheres são agredidas no Rio Grande do Sul. Precisamos romper com esse ciclo que se repete dentro de casa, marcado por agressão, arrependimento e continuidade da violência”, destaca. Para Godinho, a mobilização institucional é fundamental. “Não há mais espaço para a violência contra a mulher. É preciso enfrentar essa cultura e avançar como sociedade”, complementa.
Fonte: Grupo Independente