Languiru reduz dívida bilionária pela metade
Passivo caiu de R$ 1,1 bi para R$ 584 mi. Cooperativa apresenta contas de 2025 com lucro de R$ 101 milhões. Cerca de 80 associados acompanharam as apresentações
A cooperativa Languiru, em liquidação, realizou, na manhã desta sexta-feira, 20, na Associação dos funcionários, assembleia de a prestação de contas referente ao ano de 2025.
No período, a cooperativa registrou lucro de cerca de R$ 101 milhões, considerando todas as operações, como frigoríficos de aves e suínos, cadeia leiteira e produção de rações. O faturamento total no ano foi de R$ 542,9 milhões.
Em relação ao passivo, a dívida apurada no processo de liquidação desde 2023, superior a R$ 1,1 bilhão, foi reduzida em 52% após negociações com credores e adesão ao plano de recuperação. Atualmente, o montante é de R$ 584 milhões. Também foram apresentados os relatórios da auditoria externa e do conselho fiscal, que ratificam os números divulgados.
O presidente liquidante Paulo Roberto Birck destaca a evolução dos resultados e afirma que o movimento atesta a retomada da cooperativa. “É importante, essa retomada da confiança, principalmente do nosso associado, do nosso fornecedor, que a Languiru, com o tempo, vai enfrentar esse passivo e logo ali na frente vai ser uma página virada. E a perspectiva de 2026 também é uma perspectiva muito boa”, afirma.
Aprovações
A assembleia aprovou as contas apresentadas e decidiu acatar a proposta de rateio das sobras, que contabilizaram R$10 milhões, a ser calculado com base nas operações de cada associado realizadas em 2025, com exceção das cotas-parte.
Reestruturação
Entre as ações destacadas no plano de recuperação, estão as readequações estruturais, com a venda de ativos e a desocupação do prédio da sede administrativa. A estrutura foi transferida para o subsolo do Agrocenter. “Faz parte desse processo, a gente tem que olhar para dentro, fazer o dever de caso e sim estar atento ao mercado”, destaca Birck.
China
Além da recuperação no mercado interno, outro fator que reforça a expectativa para 2026 é a retomada de venda de cortes de frango para o mercado chinês. “É uma habilitação que se buscou muito tempo. São duas plantas habilitadas no Vale do Taquari e uma delas é a cooperativa” celebra Birck.
Preocupação
A guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, traz preocupação para a cooperativa. A repercussão do conflito e o possível fechamento do Estreito de Ormuz, importante rota marítima de comércio, pode impactar a logística de exportação. “Isso afeta diretamente nossa operação, já que a produção destinada ao mundo árabe passa por essa região. Não temos ingerência sobre o cenário, mas seguimos atentos e buscando novos mercados. Isso tem dado resultado e permite manter os números positivos da cooperativa.” finaliza.
Fonte: Grupo A Hora