Alta do diesel pressiona frete e eleva risco de paralisação
Reajuste da ANTT chega a 7%, mas setor afirma que valores seguem insuficientes e categoria avalia greve nacional. Governo federal promete fiscalizar distribuidoras que estiverem armazenando diesel para lucrar mais
A atualização da tabela de frete, publicada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), confirma o avanço dos custos no transporte rodoviário, no entanto, a pressão continua sobre os transportadores. Frente a crise provocada pelo ataque dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, há um novo novo componente no Brasil: o risco de paralisação dos motoristas.
Entidades dos caminhoneiros autônomos se reuniram ontem. No Vale do Taquari, a tendência inicial é de baixa adesão. Ainda assim, grupos representativos advertem: será feita uma avaliação diária do movimento. Isso pode fazer com que o cenário possa mudar, caso não haja reversão das dificuldades e a paralisação ganhe mais adesões.
Diretor da Tomasi Logística e da Federação das Transportadoras (Fetransul), Diego Tomasi afirma que o cenário se torna mais desafiador, pois exige o repasse dos custos para o embarcador.
“É preciso renegociar contratos e repassar o aumento do diesel. Caso contrário, o transportador trabalha no prejuízo”. Segundo ele, a situação é mais crítica para os caminhoneiros autônomos.
“Para o autônomo, muitas vezes não vale a pena pegar carga. O custo está acima do que recebe”. Nas últimas duas semanas, houve variações de quase 50% no preço do Diesel. Em postos de combustíveis da região, o litro está acima dos R$ 6,66. Em alguns postos mais distantes, pode alcançar R$ 7,70.
Na prática, os aumentos variam de 7% até 12%, conforme o tipo de operação. Mesmo com a correção, o setor afirma que os valores continuam defasados.
Cenário externo
No curto prazo, a expectativa do setor é de medidas que reduzam o custo do diesel. Tomasi cita a necessidade de replicar nos estados a política federal de desoneração do PIS e Cofins.
“O ICMS é hoje o tributo que mais pesa no combustível”, afirma. A pressão sobre o preço do diesel tem origem no cenário internacional. A escalada do conflito no Oriente Médio eleva o preço do petróleo para patamares acima de US$ 100 por barril, o que já começa a refletir no mercado interno.
Mesmo com medidas federais, governadores descartam reduzir o ICMS sobre combustíveis.
Menos carga para transportar
Presidente da cooperativa ValeLog e vice da Câmara da Indústria e Comércio da região (CIC-VT), Adelar Steffler realça que a crise tenda a se ampliar nas próximas semanas. “Acredito que vai parar. Vai parar por que não tem carga e porque ninguém pode trabalhar no prejuízo. Há insegurança nos negócios e muitos transportadores não estão aceitando fretes.”
Segundo ele, parte da produção pode ficar represada. “A guerra faz com que as rotas de transporte marítimo também tenham restrições. Poucas cargas estão embarcando no Porto de Rio Grande.”
Outro fator é a colheita de soja no RS. “Está no início. Sem poder exportar, ou sem transporte, vai ser necessário armazenar. Mas temos silos suficientes? O que vamos fazer com o excedente? A incerteza é muito grande em todos os setores.”
Fonte: Grupo A Hora