Sulpetro diz que não haverá desabastecimento, mas postos de Lajeado já registram falta de gasolina comum
Presidente do sindicato afirma que guerra no Oriente Médio gera instabilidade e pode elevar preços; barril de petróleo já supera US$ 100 e alguns postos relatam redução nas cargas de diesel
A guerra no Oriente Médio tem gerado instabilidade no mercado internacional de petróleo e já provoca reflexos no Brasil. Apesar disso, o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis e Lubrificantes do Rio Grande do Sul (Sulpetro), João Carlos Dal’Aqua, afirma que não há risco de desabastecimento generalizado no país. Mesmo assim, postos de Lajeado já registram falta de gasolina comum e relatam que receberam apenas parte das cargas de diesel solicitadas, combustível que também teve aumento de preço nos últimos dias.
Em entrevista ao programa Troca de Ideias desta terça-feira (10), Dal’Aqua explicou que o conflito internacional pressiona o preço do petróleo e gera insegurança no mercado. Segundo ele, o valor do barril passou de cerca de 60 dólares para patamares próximos ou superiores a 100 dólares, o que impacta diretamente a cadeia de combustíveis. “Esse processo desse conflito no Golfo Pérsico inevitavelmente chegaria ao Brasil, como chegaria em outros mercados, e o reflexo vai ser sempre na ponta, onde chega lá no consumidor”, afirmou.
O dirigente ressaltou que o Brasil ainda depende da importação de parte do diesel, o que aumenta a sensibilidade às oscilações internacionais. “O Brasil sempre teve uma relação de importados na faixa, especialmente do diesel, de 20% até 30%, e nesse momento isso está inibido, não está entrando produto importado”, explicou.
Mesmo com esse cenário, Dal’Aqua destacou que não há indicação de falta generalizada de combustíveis no mercado. “Não temos desabastecimento generalizado, isso é importante ressaltar, o consumidor não se preocupe que não tem desabastecimento generalizado”, disse.
Segundo ele, o que ocorre é um estresse na logística e no fornecimento, principalmente para postos que não possuem contrato fixo com distribuidoras. “Vai ter um posto sem por um período, ou ele não vai conseguir comprar, ou se ele não tem contrato, ele vai ter que pagar o preço que aquele fornecedor quiser vender para ele”, explicou.
Dal’Aqua também alertou que aumentos de preço são praticamente inevitáveis diante da instabilidade do mercado global. “Não tem como o mercado não ser afetado, me parece inevitável essa consequência de um conflito desse”, afirmou.
No caso da gasolina, o presidente do Sulpetro classificou as ocorrências de falta em alguns postos como pontuais, ligadas à dinâmica de fornecimento das distribuidoras e à capacidade de compra de cada estabelecimento. “A gasolina não tem um desabastecimento, a gente sabe que não tem, mas tem esse direcionamento para quem tem contrato, e quem não tem está exposto a pagar, inclusive se tiver produto, um preço bem mais elevado”, concluiu.
Fonte: Grupo Independente