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Polícia Federal prende Marcelo Caumo, ex-prefeito de Lajeado

Prisão temporária, com prazo de cinco dias e renovável por mais cinco, foi determinada pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4).

Polícia Federal prende Marcelo Caumo, ex-prefeito de Lajeado
Foto: Gabriel Santos

A Polícia Federal (PF) prendeu, na manhã desta quinta-feira, 26, o ex-prefeito de Lajeado, Marcelo Caumo, durante a segunda fase da Operação Lamaçal. A prisão temporária, com prazo de cinco dias e possibilidade de prorrogação por igual período, foi determinada pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4).

Esta etapa é um desdobramento da investigação iniciada em dezembro de 2025, que apura suspeitas de desvio de recursos públicos federais destinados ao município após as enchentes de 2024, durante a gestão de Caumo. O ex-prefeito foi detido em sua residência por agentes federais.

Além da prisão, policiais federais cumprem mandados de busca no setor de licitações da Prefeitura de Lajeado e em outros endereços da cidade.

Segundo a PF, o inquérito investiga possíveis irregularidades na aplicação de verbas federais emergenciais repassadas para a reconstrução do município. Mais informações devem ser divulgadas ao longo do dia.

Ao analisar a destinação dos recursos, a investigação identificou indícios de direcionamento em contratos firmados pela prefeitura com uma empresa de prestação de serviços terceirizados, incluindo profissionais como psicólogos, assistentes sociais, educadores sociais, auxiliares administrativos e motoristas. A contratação ocorreu por dispensa de licitação, com base no estado de calamidade pública decretado no Vale do Taquari após as enchentes.

Auditoria da Controladoria-Geral da União (CGU) apontou indícios de que a contratação direta não observou a proposta mais vantajosa para a administração pública e que os valores pagos estariam acima dos praticados no mercado. O montante total dos contratos sob apuração chega a cerca de R$ 120 milhões. Os investigados podem responder por crimes de desvio de verbas públicas, fraudes em licitações e contratos administrativos e lavagem de dinheiro.

Antes de assumir a prefeitura, Caumo atuou como advogado de uma das empresas investigadas. Em um escritório ligado a ele, policiais federais apreenderam R$ 411 mil em dinheiro em espécie guardados em um cofre. A origem dos valores é investigada.

Ouvido pela PF em novembro, o ex-prefeito negou favorecimento a empresas. Na ocasião, ele deixou o cargo de secretário estadual de Desenvolvimento Urbano dois dias após a primeira fase da operação. Desde então, a pasta permanece sem titular.

Nesta quinta-feira, 26, uma empresária ligada à empresa beneficiada pelos contratos também foi presa. Buscas foram feitas na casa de uma vereadora de Encantado. Ao todo, a PF cumpre mandados em 20 endereços nos municípios de Lajeado, Muçum, Encantado, Garibaldi, Salvador do Sul, Fazenda Vilanova, Novo Hamburgo e Porto Alegre. A Justiça determinou ainda o sequestro de veículos e o bloqueio de bens e valores de até R$ 5 milhões.

Defesa

A reportagem aguarda posicionamento dos assessores de Marcelo Caumo.


Fonte: Grupo A Hora