Quem ganhou e quem perdeu espaço com Pezzolano no Inter
Borré e Ronaldo se consolidam, jovens ganham espaço e alguns atletas perdem protagonismo na nova fase colorada
Após quase oito semanas de trabalho de Paulo Pezzolano à frente do Inter, está confirmado um processo de transformação no Beira-Rio. Mesmo com início irregular no Campeonato Brasileiro, a equipe demonstra evolução coletiva e individual, refletida na classificação à final do Gauchão com a melhor campanha geral e, principalmente, no futebol competitivo em campo. Dentro desse contexto, alguns jogadores cresceram de rendimento e se tornaram peças importantes na engrenagem montada pela comissão técnica. Outros perderam espaço.
A identidade proposta pelo treinador uruguaio já aparece de forma clara: intensidade, marcação adiantada e maior mobilidade ofensiva. Diante dessas exigências, alguns jogadores se adaptaram melhor. Os casos mais emblemáticos são os de Rafael Borré e Ronaldo. Alvo de críticas em passado recente, a dupla aproveitou as oportunidades e ganhou protagonismo. O centroavante colombiano vive momento particularmente positivo. Na goleada por 4 a 0 sobre o Ypiranga, no último domingo, marcou seu sexto gol na temporada. Em todo o ano passado, havia balançado as redes apenas oito vezes. “O Borré se entrega 100% todos os dias. Talvez o modelo de jogo também favoreça o seu estilo. Mas é tudo resultado do trabalho dele. Ele é um diferencial, não só do Inter, mas também no campeonato”, destacou Pezzolano, sábado, após o Inter garantir vaga na final do Gauchão.
No meio-campo, Ronaldo também se firmou. Antes cotado para deixar o clube, o volante assumiu a titularidade e não abriu espaço nem com o retorno de Thiago Maia, que perdeu sequência após lesão, nem para o argentino Rodrigo Villagra, contratado junto ao CSKA Moscou com status de titular. “Vamos melhorar ainda. Faltam detalhes. Falta bastante para chegar até onde queremos. Mas os jogadores estão trabalhando muito, querem triunfar no Inter, ganhar. Estão abertos a se adaptar. Assim, fica mais fácil”, disse.
Outro nome que ganhou terreno foi Victor Gabriel. O defensor passou a iniciar as partidas após a venda de Vitão ao Flamengo. Em recuperação de lesão, ele é dúvida para o compromisso desta quarta-feira, diante do Remo, pelo Brasileirão, mas é considerado titular, pelo menos até que cheguem mais zagueiros, o que deve acontecer já nos próximos dias.
Se alguns atletas ascenderam, outros perderam espaço. Clayton Sampaio recebeu oportunidades no começo da temporada, mas falhas comprometeram sua sequência, e ele acabou fora dos planos imediatos. A situação é delicada, já que o vínculo vai até o fim de 2028.
O volante Richard e o lateral Alan Benítez vivem cenário semelhante. Ambos têm contrato até dezembro e foram pouco ou nada utilizados em 2026. Richard não jogou nem quando a equipe era completamente reserva. O lateral atuou em três partidas, mas também foi arquivado e, nos cinco mais recentes compromissos do Inter, sequer foi relacionado por Pezzolano. Se surgirem propostas, ambos serão negociados.
Entre afirmações, retomadas e redefinições de papéis, o Inter de Pezzolano parece em construção. Mas para confirmar os auspiciosos sinais deste início de trabalho, a equipe colorada precisa recuperar-se no Brasileirão e conquistar o Gauchão.
Fonte: Correio do Povo