O diferencial da carne produzida no Rio Grande do Sul
Setor busca reposicionar a pecuária gaúcha e agregar valor ao produto no país
Com o argumento de que a carne produzida no Rio Grande do Sul tem diferenciais em relação à do restante do Brasil, o Instituto Desenvolve Pecuária e o Sindicato das Indústrias de Carnes e Derivados do Estado (Sicadergs) lançam, nesta terça-feira, uma campanha para a valorização do produto. O Fundo de Promoção da Carne Gaúcha será apresentado na Abertura da Colheita do Arroz,
A presidente do instituto Antonia Scalzilli afirma que é preciso comunicar e valorizar o que se faz no Estado. “Nossa carne não pode ser vendida como uma commodity. Tem todo um valor agregado por ser oriunda de raças britânicas, de estar em cima de um Pampa. O bioma Pampa é totalmente conectado com a atividade. Tem responsabilidade ambiental, sanitária. As pessoas vêm buscar a história do churrasco do fogo de chão”, diz, ressaltando que o consumo deve ser tratado como uma “experiência”. “O Uruguai e a Argentina sabem fazer muito bem isso. Nós temos a mesma carne.”
O Fundocarne é privado e gerenciado por pecuaristas e por indústrias. “Cada um dos elos tem participação de arrecadação para a gente pensar e focar só em projetos de promoção da carne”, explica. Depois do lançamento dessa campanha, a ideia é organizar a promoção para atingir os consumidores do RS e também de outros mercados brasileiros. “A gente produz de uma maneira completamente diferente e, na hora de receber, recebemos tal qual commodity, como a carne que o Brasil Central produz muito bem, sabe produzir, mas não é o mesmo produto que nós temos aqui.”
O presidente-executivo do Sicardergs, Ronei Lauxen, ressalta que o objetivo inicial do fundo é unir o setor. “Tem bastante coisa que a gente pode trabalhar para buscar de novo o protagonismo da pecuária gaúcha”, detalha, afirmando que o mercado está atualmente estagnado. “Vemos que outros estados estão crescendo bastante e o Rio Grande do Sul ficou meio parado nessa atividade.” Para ele, o reconhecimento e a ampliação do trabalho podem impulsionar as exportações. “É um objetivo bastante amplo. Buscar os mercados já existentes e talvez abrir novos mercados para valorizar a carne gaúcha.”
Simultaneamente, o segmento busca aumentar a produtividade em nível industrial, que hoje passa por ociosidade. “A gente tem várias situações que podem ser debatidas, discutidas e, em conjunto, buscar soluções para melhorar o ambiente de negócios desse setor que é importante para a economia gaúcha.”
Fonte: Correio do Povo