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Preço do café recua com safra recorde no radar

Indicador do arábica cai 3,7% em janeiro diante da expectativa de alta de 17,1% na produção

Preço do café recua com safra recorde no radar
Foto: Divulgação

A combinação entre expectativa de safra recorde no Brasil e condições climáticas mais favoráveis começa a pressionar os preços do café no mercado interno. Dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) indicam recuo nas cotações do arábica diante de um cenário produtivo mais positivo para a temporada 2026.

Segundo o Cepea, o indicador do café arábica tipo 6, posto na capital paulista, caiu R$ 80,19 por saca de 60 quilos entre 30 de dezembro e 30 de janeiro, retração de 3,7%. No fechamento do mês passado, a saca foi negociada a R$ 2.094,55, encerrando com média mensal de R$ 2.178,82, o menor valor desde outubro de 2025.

O movimento de baixa ocorre em meio à divulgação da primeira estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que projeta produção de 66,2 milhões de sacas de café em 2026, volume 17,1% superior ao do ciclo anterior e potencial novo recorde histórico. O crescimento é atribuído à ampliação de 4,1% da área cultivada, estimada em 1,9 milhão de hectares, além de melhora na produtividade, prevista em alta de 12,4%, para 34,2 sacas por hectare.

No campo, pesquisadores do Cepea apontam que as chuvas registradas em boa parte de janeiro e a expectativa de manutenção da umidade no início de fevereiro favorecem o enchimento dos grãos, fase considerada decisiva para a definição da safra. Esse cenário reforça a percepção de maior oferta futura, fator que contribui para a pressão sobre os preços.

Apesar do quadro mais favorável, o clima segue como ponto de atenção. Temperaturas elevadas e baixa umidade no fim de dezembro podem ter afetado a formação dos grãos em algumas regiões, com risco de ocorrência de cafés chochos, o que mantém o mercado atento à evolução das lavouras nas próximas semanas.

Mesmo com a retração recente, o setor observa que os preços seguem em patamar historicamente elevado, sustentados pela demanda global aquecida e pelos baixos estoques mundiais, o que pode limitar quedas mais acentuadas ao longo de 2026.


Fonte: Grupo A Hora