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Maioria dos afogamentos no Vale do Taquari envolve homens entre 14 e 30 anos, alerta Bombeiros

Em apenas sete dias, região registra quatro casos, com duas mortes; mudanças nos rios após enchentes aumentam os riscos no verão

Maioria dos afogamentos no Vale do Taquari envolve homens entre 14 e 30 anos, alerta Bombeiros
Foto: Brenda Giovanaz

O ano de 2026 começou com um alerta preocupante no Vale do Taquari. Em apenas sete dias, foram registrados quatro casos de afogamento, sendo três em Lajeado e um em Marques de Souza, com duas mortes confirmadas e dois resgates com vida. Além disso, um quinto atendimento ocorreu em Fontoura Xavier, município próximo à região.

Diante do cenário, a reportagem conversou com o Tenente Borges, responsável pelo comando do Corpo de Bombeiros Militar de Lajeado. Segundo ele, embora os afogamentos sejam ocorrências sazonais, os números deste início de ano superam a média. “Com o aumento da temperatura, a população busca refresco em rios, lagos, açudes e piscinas. É característico dessa época do ano, mas neste ano os números chamam atenção”, afirmou.

O tenente destacou ainda um episódio recente que reforça a gravidade do problema. “Em poucos dias de janeiro, já tivemos as ocorrências mencionadas e, infelizmente, o óbito de uma criança de dois anos em uma piscina em Boqueirão do Leão. Embora este caso não conste em nossas estatísticas, é uma situação lamentável”, disse.


Rios mais perigosos após as enchentes

De acordo com Borges, as enchentes de 2023 e a grande cheia de 2024 alteraram significativamente a hidrografia e a batimetria do rio Taquari e de cursos d’água menores. “Não é recomendável nadar ou tomar banho no rio Taquari. Orientamos que se evite a prática, pois o local não é adequado e não possui guarda-vidas”, alertou.Ele explica que a presença de guarda-vidas ocorre apenas em locais específicos durante a Operação Verão, como balneários do litoral norte e sul e alguns pontos de águas internas. “Nesses locais atuam bombeiros militares, guarda-vidas civis e policiais militares da Brigada Militar”, acrescentou.


Álcool, perfil das vítimas e cuidados básicos

O comandante também chamou atenção para a associação entre álcool e água, considerada altamente perigosa. “Assim como álcool e direção, a ingestão de bebida alcoólica e a exposição à água não se harmonizam, apresentando um perfil de risco notável”, afirmou.

Segundo ele, a maioria dos incidentes envolve homens entre 14 e 30 anos. Para reduzir os riscos, a recomendação é clara: “Mesmo nadadores experientes devem evitar ultrapassar a linha da cintura. Em locais sem supervisão de guarda-vidas, o ideal é permanecer na profundidade do joelho e evitar áreas desconhecidas, já que o fundo pode ter sido alterado pelas enchentes”.


Atenção redobrada com crianças e resgates

Borges reforça que crianças devem estar sempre sob supervisão constante. “Evite distrações como celular, conversas ou consumo de álcool, que comprometem a vigilância”, orientou.

Em caso de alguém em perigo, a orientação é não entrar na água para tentar o resgate. “A atitude mais prudente é buscar um objeto flutuante — corda, tábua, vara ou até garrafas PET — para que a vítima se agarre. Não tente o resgate com os próprios braços, pois isso pode transformar você em uma segunda vítima”, concluiu.


Fonte: Grupo Independente